Pensa num produto que se renova sempre mas é sempre igual.
Que não perde a moda, mas é clássico.
Que pode ser usado em qualquer lugar, formal ou informal, sempre com estilo.
Que você teve, tem e terá, sem perceber que ele mudou e se renovou tanto.
Agora me diga em que marca você pensou. Havaianas, não foi?
Provavelmente você nunca pensou em nenhum destes aspectos quando calçou sua sandália para ir a praia, a padaria, ao shopping ou buscar seu filho em uma festa – mas ela é sem dúvida nenhuma, um dos exemplos a serem imitados quando falamos de levar inovação para um negócio sem perder sua essência.
As pessoas compram hoje camisetas, chaveiros, brincos e bolsas da marca? Compram, mas porque ela continua sendo boa naquilo que é sua essência e seu negócio principal: fazer calçados confortáveis. E traz modelos diferentes, novas cores e padrões, seguindo modas e tendências, saltos mais altos, mais baixos, tiras mais largas, mais estreitas, enfim, alterando aquilo que pode ser alterado mas, se eu pedir a qualquer pessoa neste país que desenhe uma sandália, pode ter certeza que vem um desenho da clássica havaianas branca com sola colorida.
Eu sempre disse que a inovação é um processo que precisa fazer parte da cultura corporativa, mas que deve ser implementado com cuidado e começar pelas bordas, de maneira a preservar aquilo que sustenta o negócio e não criar reações negativas nos colaboradores.
Crocs, tamancos de madeira, Riders e outros modelos vieram e passaram, mas elas ficaram. Por quê? Enquanto estas marcas conseguiram criar modas passageiras e depois foram para o fundo do armário, havaianas entendeu algo fundamental: que é preciso ler tendências, não modas. Aproveitar o que vai se consolidar, não apenas perseguir o presente. E quando uma marca consegue enxergar isto, fica muito mais fácil planejar seu futuro e consolidar sua posição, com a defesa já armada para esperar esses tsunamis de cada estação passarem até virar marola.
Preservar sua essência, seu propósito, seus valores e ler tendências para se antecipar na sua consolidação e liderar a vanguarda de sua implementação: não tem receita melhor para o sucesso de um negócio. E é por isso que, por muitos anos, em muitos cantos do mundo vamos ouvir a frase que dá título a este artigo, como eu ouvi de um oficial de imigração na Holanda.
Afinal, até na cabeça deles, os “flip flops” já são tão símbolos do Brasil quanto o futebol...